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Conheça a trajetória da startup que acreditou que seria possível “alugar” goleiros

Este artigo é sobre uma daquelas ideias que pouca gente acreditaria que desse certo: “alugar” goleiros para jogos de futebol amador. Mas o curitibano Samuel Toaldo, hoje com 34 anos de idade, acreditou. Não apenas isso: ao lado daqueles que se tornariam seus sócios, seguiu diversas etapas para montar uma startup que trouxe retorno tanto para eles como para milhares de atletas amadores em todo o Brasil. Nos próximos parágrafos, conheça o passado, presente e futuro do Goleiro de Aluguel:

“Ninguém quer ser goleiro”

Lá pelo final do ano de 2014, Toaldo trabalhava como técnico de informática e jogava futebol nas horas vagas… de goleiro. “Sempre fui goleiro, desde criança… quando descobriam, iam até me buscar em casa”, acrescenta. Aconselhado por um amigo, meio que em tom de brincadeira, Toaldo montou a fanpage “Goleiro de aluguel”. A partir de agora, você vai ter que pagar para eu jogar…”, anunciava. Cerca de 20 dias depois, deu uma entrevista para uma rádio local e, a partir daí, não conseguiu mais dar conta de tantos “clientes”. Passou a chamar outros goleiros.

Sócio e MVP

Um deles foi Eugen Braun, que apenas se tornou um goleiro de aluguel como se ofereceu para ajudar a organizar o projeto. Virou o primeiro sócio. Nesta etapa, que Toaldo considera a de MVP (sigla em inglês para mínimo produto viável), usavam somente ferramentas gratuitas: o site foi montado em WordPress. Para comunicação com goleiros e clientes, formulários do Google e Whatsapp. E planilha.

” Precisamos fazer um aplicativo”

A dupla chegou a alugar 300 goleiros por mês e, em um ano e meio, faturou R$ 100 mil (65% destes, repassados aos atletas). As ferramentas deixaram de dar conta do recado e tornou-se necessário evoluir o produto para um aplicativo. Foi aí que, segundo Toaldo, cometeram o maior erro: terceirizaram o desenvolvimento do aplicativo, que nunca foi entregue. Entraram para o time os desenvolvedores Rafael Marques e Leo Muckenfuss. Entregaram a primeira versão em 45 dias e viraram sócios

Negociando com Tubarões

Depois de um processo seletivo de dois meses e vários testes, conseguiram apresentar o Goleiro de Aluguel na edição brasileira do Shark Tank, uma espécie de reality show no qual empreendedores apresentam suas ideias em busca de investimentos. Pescaram dois “tubarões”, nada menos do que João Appolinário (fundador e presidente da Polishop) e Carlos Martins (fundador da rede de idiomas Wizard). Venderam 50% da empresa por R$ 250 mil. Veja o vídeo da apresentação:

https://www.youtube.com/watch?v=dUGQUi95Aes

Nova fase

Em virtude da etapa burocrática, o aporte demorou cinco meses para chegar. A espera não foi fácil – Eugen, por exemplo, já havia abandonado o emprego para se dedicar exclusivamente ao projeto. Mas o dinheiro chegou no final de março de 2017, dando início a uma nova fase do Goleiro de Aluguel. Durante o resto do ano, a equipe priorizou o aperfeiçoamento e a correção de falhas. O crescimento foi organizado, sem a necessidade de investimento em marketing.

Infidelidade

De acordo com Toaldo, uma das maiores dificuldades encontradas por um “problema cultural”: os goleiros conseguiam clientes e acabavam acertando as partidas seguintes por fora do aplicativo. Para combater a prática, criaram um termo de responsabilidade com multa em caso de descumprimentos e também um questionário de qualificação. Tais medidas fizeram o número de goleiros despencar de 22 mil para cinco mil. Mas o time de Toaldo não se importou. “Precisávamos de 1000 goleiros fiéis”, declarou. Também se trabalhou a questão do incentivo, com prêmios, ranking local a valores maiores para goleiros mais assíduos.

O primeiro patrocinador

Patrocínio nunca foi o foco do Goleiro de Aluguel, mas além de fundador da Wizard, o “tubarão” Carlos Martins também é dono da Topper. Conseguiu em encontro com o CEO da fabricante de matérias esportivos, que topou um contrato experimental com duração de seise meses. Sabe como chegaram ao valor? A equipe do Goleiro de Aluguel foi a um estádio e escolheram uma placa de publicidade que era vista somente do local, ou seja, que não aparecesse nas transmissões de TV. Perguntaram o valor e repassaram para a Topper. O patrocínio já foi renovado pelo mesmo período e pelo dobro do valor.

E dá dinheiro?

Hoje, o patrocínio da Topper corresponde a 30% do faturamento bruto da empresa. Somente com o aluguel dos goleiros, o salto foi de R$ 130 mil em 2016 para R$ 300 mil somente nos primeiros quatro meses de 2018 – é daí que sai a comissão dos jogadores (começa em R$ 18 e pode chegar a R$ 20,50 para os mais “fiéis”). Há ainda outra fonte de renda: uma loja online que vende desde produtos da patrocinadora como da própria marca “Goleiro de Aluguel”, como as camisas que alguns atletas vestem. Tem até livro sobre goleiros.

Um lado social

Surpreende ainda que a empresa, mesmo com números não tão grandes em termos de idade e faturamento, já tenha algumas ações sociais no currículo – e não estamos falando de ajudar muitos atletas a pagarem o aluguel, a faculdade ou mesmo trocarem de carro. Por exemplo a Goleiro de Aluguel garantiu os uniformes da seleção brasileira feminina de futsal de surdos, que conquistou o vice-campeonato da Copa do Mundo de 2015 na Tailândia. Veja o vídeo:

A empresa também envia uma quantia mensal para três treinos gratuitos semanais e compra de materiais esportivos para a “Escuela de Porteros”, que já beneficiou mais de 50 crianças em Mali, na África. O início foi curioso: Toaldo comentou um vídeo sobre o projeto parabenizando a iniciativa. O treinador e coordenador do projeto Vadjiguiba Diaby pesquisou na Internet e encontrou um vídeo do Goleiro de Aluguel no Maracarã – a convite do Esporte Interativo -, achou que o fundador da empresa fosse goleiro profissional e escreveu pedindo ajuda. Toaldo teve que esclarecer o mal-entendido, mas a parceria foi em frente. Vídeos:

Próximos passos

“Ainda há um mercado muito grande a ser explorado no Brasil”, diz Toaldo quando perguntado sobre o futuro do Goleiro de Aluguel. Há várias iniciativas planejadas para fazer a empresa dobrar de tamanho até 2019. A mais curiosa delas é implantar uma espécie de “tarifa dinâmica” com base no preço do aluguel das quadras – o valor da hora em São Paulo é o triplo de Curitiba, por exemplo.

A empresa também irá buscar ainda mais apoio publicitário, pois entende que tem mais visibilidade que times de futebol intermediários. E já recebeu sondagens para levar o projeto para outros países da América Latina. Ah… também está selecionando representantes comerciais em todo o Brasil. Quem sabe você não entra para o time?

One Response

  1. Thiago Donizeti da Silva 05/06/2018