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Chega+

Como o Chega+ chegou a meio milhão de usuários

Este artigo é sobre dois peladeiros que realizaram o sonho de transformar esse hobby esportivo em um negócio. Estamos falando do designer Vinícius Andrade e do programador Rodrigo Manguinho, ambos com 37 anos de idade. Desde crianças, se encontravam nos campinhos do Rio de Janeiro para jogar futebol. Perderem contato até alguns anos atrás, quando foram trabalhar na mesma empresa. Viram que ainda mantinham, como afinidade, a paixão pela bola. Foi a deixa para tentar tirar alguma ideia do papel neste segmento.

Surgia então o Chega+, um dos mais populares aplicativos de jogos de futebol amador. Correção!!! Surgia o Letsport, uma tentativa inicial de oferecer um produto para todos os esportes. Não vingou e a dupla resolveu focar em somente um: assim, a primeira versão do Chega+ foi lançada em 2016, com pouquíssimas funcionalidade: criação de grupos e listas de confirmação.

Fim do maior concorrente

No primeiro ano, já chegou aos três mil usuários. A segunda versão foi lançada em 2017, com rankings e artilheiros. Os elogios começaram a chegar, mas o pulo do gato foi o anúncio de que o principal concorrente na época iria simplesmente fechar as portas. Tratava-se do Peladeiros, um site bastante popular para organização de grupos de futebol (usado inclusive pelo autor deste artigo).

O Peladeiros chegou a ser parcialmente adquirido pela Pênalti, mas seu criador não conseguiu monetizá-lo e resolveu descontinuá-lo. De acordo com Andrade, eles chegaram a tentar convencê-lo de entrar como parceiro, sem sucesso. Resultado: com o fechamento do concorrente, o Chega+ pulou para 100 mil usuários.

Jornada dupla

Apesar do crescimento, a rotina dos sócios seguia a mesma no começo de 2018: trabalhavam em dupla jornada, durante o dia na empresa onde haviam se reencontrado e, de noite e aos finais de semana, no Chega+. Em agosto, decidiram largar os empregos e apostar todas as fichas no produto. “Montamos o primeiro escritório no fundo da garagem do meu prédio”, lembra Andrade.

O Chega+ já havia chegado a sua terceira versão, com a funcionalidade de controle financeiro. Estava batendo na casa dos 300 mil usuários. A “brincadeira” começou a ficar cara: para garantir a estabilidade do aplicativo, a dupla chegou a gastar R$ 4 mil mensais apenas em servidores. No final do ano, viriam a vender seus carros.

Aceleração e investidor

Era chegada a hora de descobrir como ganhar dinheiro com a ideia. A primeira tentativa foi fazer com que o Chega+ não servisse apenas para registro dos valores arrecadados pelos grupos, mas que funcionasse como um intermediário. Ou seja, os peladeiros pagariam para o aplicativo e o organizador do grupo poderia retirar este dinheiro para pagar a quadra e outras despesas. Com uma comissão de 10%, a “conta Chega+” segue no ar, mas ainda não deu o retorno esperado e passará por modificações.

A empresa já havia sido aceita no InovAtiva Brasil, programa de aceleração gratuita do Governo Federal, mas em 2019, ela ganhou os apoios da Sai do Papel, uma aceleradora também carioca, e de um fundo de investimentos – Andrade declarou que, por contrato, não pode divulgar os valores captados.

Nova sede do Chega+

O Chega+ mudou-se para uma sede própria na Tijuca e também foi reforçado com as chegadas de mais um programador e de um profissional de suporte. Lançou a sua segunda funcionalidade paga, o “sócio jogador”, um clube de vantagens que custa R$ 59,88 anuais ou R$ 9,99 mensais. O número de assinantes ainda é modesto, mas Andrade já está vendo resultados. “Teve gente que curte o app e assinou pra ajudar, para ver melhorando”, revela.

A empresa também lançou um marketplace de artigos esportivos e de outros segmentos, em parceria com marcas como Centauro, Netshoes, Fut Fanatics e outras (sócios jogadores ganham descontos nas compras).

Meio milhão

Os próximos passos são oferecer mais para os assinantes pagos e também uma versão “Pro” para grupos, foco do aplicativo. A empresa também estuda lançar aluguel de goleiros e até novos idiomas, pois já tem usuários fora do país (por enquanto, brasileiros, claro). Ah, e resgatar a ideia inicial de oferecer outras modalidades (lembra do “Letsport”) também está nos planos.

Com essas novidades e maiores investimentos em marketing e comunicação, o Chega+ já bateu a marca de meio milhão de usuários. Andrade acredita que ainda dá tempo de chegar a um milhão até o final do ano. “As pessoas já estão vendo a gente como empresa”, comemora.